sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Religião e Homoafetividade


Eu decidi falar sobre o papel da religião na vida dos homoafetivos, comecei a procurar por textos na Internet e me deparei com o relato de uma senhora de nome Dora Bomilcar Andrade, uma evangélica que foi em 2005 a uma parada gay para tentar salvar as almas daqueles "pobres coitados", o relato é bem interessante e vou colocar apenas a parte principal dele aqui. O título do artigo é "Uma mãe cristã na Parada Gay", segue o texto:

...Se alguém me filmou e passou nos meios de comunicação me viu chorando. Chorando por mim mesma. Por ter vivido numa redoma dentro de uma comunidade e não imaginar o que se passava lá fora. Chorando por aqueles que procuram preencher suas necessidades emocionais e sexuais de forma tão fora da vontade de Deus. Lágrimas, pela cegueira e por ter perdido tantas oportunidades de mostrar um sentido para o vazio de suas vidas, que só Cristo pode preencher.

Tive vontade de alertar algumas mães levando seus filhos pequenos para ver a parada, dizendo: "Quero que eles cresçam sem preconceitos ou tabus". Apesar do discurso educativo, uma mãe admitiu que as crianças não entendiam bem o que estava acontecendo, encarando aquilo como uma festa qualquer.

As Escrituras condenam efetivamente a prática homossexual.

Nossa missão como cristãos é levar a Palavra de Deus a toda criatura. Precisamos sentir mais compaixão pelas almas perdidas e anunciar-lhes o evangelho da Graça de Deus. Oferecer-lhes a esperança de uma nova vida em Cristo e chamá-los à redenção integral e restauradora de Jesus, o que inclui a conversão da sexualidade.

Fui chamada de homofóbica por algumas lésbicas. Isso me inclui no grupo daqueles que lutam para preservar os princípios básicos da família formada a partir da união de um homem e uma mulher e consideram a homossexualidade como pecado, de acordo com a Bíblia. Cremos na promessa bíblica de que os homossexuais podem ser transformados (1 Co 6.9)...

O texto mostra como os homoafetivos são vistos - de forma geral - pela maioria das igrejas. Vale a pena levantar alguns pontos interessantes sobre o artigo. O primeiro trecho que destaco é "mostrar um sentido para o vazio de suas vidas, que só Cristo pode preencher", vivemos em um país cristão e a grande maioria de nós passou sua infância seguindo e acreditando os ensinamentos - valores - de nossas igrejas, mas quando descobrimos que somos homossexuais e isso vai contra nossa igreja, acaba por abalar todas as referências cristãs que tínhamos até então, criando uma grande confusão em nossas mentes que nos leva muitas vezes ao total desligamento da religião, e todos aqueles valores que ajudaram a formar nosso caráter desmoronam e muitas vezes desaparecerem gerando um vazio em nossos hábitos, costumes, crenças e convívios sociais. É como se de uma hora para outra fossemos abandonados por tudo e todos que sempre amamos e confiávamos - inclusive Deus - pelo fato de descobrirmos que somos diferentes do que eles consideram "o certo". E pior ainda é o sentimento inicial de culpa/pecado, que muitas vezes nunca é superada.

"algumas mães levando seus filhos pequenos para ver a parada" Mães levando filhos pequenos para serem pessoas melhores e acabar com o preconceito é uma iniciativa maravilhosa, em primeiro lugar por mostrar que homossexualismo não se pega e pela própria preocupação das mães em criar um mundo mais humano - com direito às diferenças - para seus filhos.

"As Escrituras condenam efetivamente a prática homossexual" Não sei o que os evangélicos entendem como "prática homossexual", será que para eles uma pessoa é homossexual apenas quando ela faz sexo com outra? Eu garanto que sou homossexual independente de estar com alguém ou sozinho, e digo que é impossível em algum momento eu decidir deixar de ser, mesmo que por um instante. Agora se eu disser: vou ter uma pratica heterossexual. Entende-se que vou fingir ser hetero para alguém. Isso me leva a outro ponto do texto, "e chamá-los à redenção integral e restauradora de Jesus, o que inclui a conversão da sexualidade" Redenção integral eu entendo como desistir de si mesmo, aprisionar seus sentimentos em uma máscara de mentiras.


Não estou querendo mudar os valores das igrejas, cada um tem direito a acreditar no que quiser. Estou mesmo é discutindo o que se passa na cabeça de um jovem que acreditou em algo a vida inteira der repente descobrir que nada daquilo se adapta a sua vida, em sua vida social e na formação de seu caráter. Uma situação angustiante em que ele não pode recorrer nem mesmo aos seus pais - por serem da mesma religião em que ele está em conflito - gerando uma total sensação de abandono e falta de referências. Levando o indivíduo a uma busca de uma identidade instantânea que muitas vezes esbarra nos estereotipos, nos vícios e na tentativa desesperada de preencher um vazio emocional com bens materiais ou carnais.


Fonte: http://www.lideranca.org/cgi-bin/index.cgi?action=viewnews&id=254

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